Rede de imigração ilegal desmantelada com detenções

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou, nos últimos dias, durante uma operação conjunta com a Polícia Nacional de Espanha, uma rede ibérica de imigração ilegal.
Num comunicado enviado esta sexta-feira ao Notícias ao Minuto, os inspetores revelam que a operação policial Caravela, como foi intitulada, foi realizada sob a égide da EUROJUST.
Durante a mesma “concretizou-se simultaneamente” em Portugal e Espanha “o cumprimento de dezenas de mandados de busca domiciliárias, que resultaram na detenção de cinco pessoas em Espanha, responsáveis pela introdução no mercado de trabalho ibérico de centenas de imigrantes ilegais, maioritariamente provenientes dos países da América do Sul”.
De acordo com os investigadores, “um grupo de pessoas constituiu várias empresas com o objetivo de integrar no mercado de trabalho europeu cidadãos de países terceiros, sem serem titulares do necessário e obrigatório visto para o efeito”.
Os imigrantes eram assim angariados pelo nos seus países de origem “com a promessa de virem trabalhar para a Europa em atividades especializadas, acabando por ser colocados em situação de grande vulnerabilidade social, com a violação reiterada de direitos do trabalho e das normas de segurança”.
Posteriormente, os imigrantes eram “regularizados em território nacional, mediante a concessão de autorização de residência, solicitada e emitida através do mecanismo de manifestação de interesse, entretanto revogado em junho de 2024, com a apresentação de documentação falsa, atestando que residiriam e trabalhavam em Portugal, embora residissem e trabalhassem em Espanha, a mando das empresas do grupo”.
Apreendidos 700 mil euros, mas movimento terá sido de 40 milhões
No decorrer da operação Caravela, “foram apreendidos milhares de documentos, dos quais se destacam várias contrafações de autorizações de residência portuguesa em suporte digital, cartões de cidadão espanhóis falsos, documentos de destacamento da Segurança Social e certificados de saúde para o trabalho, material informático, carros de luxo, cerca de 700 mil euros, registando-se em Espanha movimentos de entrada e saída de aproximadamente 40 milhões de euros”.
Todas as contas bancárias das empresas visadas foram, entretanto, apreendidas.
Conta ainda a PJ que as sedes de empresas estão localizadas em dois gabinetes de contabilidade, em Vila Nova de Gaia, aos quais os suspeitos recorriam “para efeitos de recolha de documentação de teor intelectual falso, junto da Segurança Social e da Autoridade Tributária, utilizadas posteriormente na instrução do processo de concessão de autorização de residência dos imigrantes ilegais, constando como residentes nos ditos gabinetes de contabilidade”.
A prova já apreendida nas buscas, realçam os inspetores, “permite constatar que a gestão das empresas era toda realizada em Espanha”.
Os mandados de busca em território nacional foram efetuados nas cidades de Vila Nova de Gaia, Valongo e Estarreja, envolvendo 20 de inspetores da PJ.